O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou a soberania nacional e a defesa do multilateralismo no centro de seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York. A fala ocorreu antes do pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ao abordar o cenário político da América Latina, Lula criticou o que classificou como interferências externas nos países da região e defendeu uma relação baseada em cooperação e respeito à autonomia das nações.
Durante o pronunciamento, o presidente brasileiro afirmou que o Brasil deve manter relações com diferentes países sem se subordinar a interesses externos. A declaração ocorreu em meio ao aumento das tensões entre governos latino-americanos e os Estados Unidos.
Lula também tratou da segurança internacional e defendeu uma atuação conjunta entre os países para enfrentar organizações criminosas, com atenção ao trânsito internacional de armas e recursos financeiros utilizados pelo crime organizado.
Outro ponto abordado foi a democracia. O presidente brasileiro afirmou que processos eleitorais precisam ser protegidos de interferências estrangeiras e criticou a formação de áreas de influência entre grandes potências, além de mencionar questões relacionadas à soberania sobre recursos estratégicos.
Na agenda latino-americana, Lula citou a situação da Venezuela e afirmou que os próprios venezuelanos devem ter condições de definir os rumos políticos do país. Ele também mencionou a Nicarágua e defendeu a participação da oposição nas eleições.
O presidente ainda voltou a criticar as restrições econômicas impostas a Cuba e classificou o embargo norte-americano ao país como contrário ao direito internacional.
