Há 20 anos, o senhor vencia as eleições como governador. Fez sua reeleição, desbancou a reeleição do PSDB no período, fez sua reeleição, conseguiu emplacar o seu candidato à época e é extremamente parceiro do governador Elmano. Mas ninguém passa a vida inteira no poder. Eu lhe pergunto: numa eleição tão polarizada como essa, o senhor tem receio de que essa hegemonia se esvaia de alguma forma das suas mãos?
Cid Gomes – Bom, primeiro eu não acho que seja uma hegemonia pessoal. Não tenho vaidade, sinceramente, nem de ser o grande precursor das mudanças no Ceará. Eu não tenho nenhum problema em reconhecer méritos, inclusive de pessoas que não são meus aliados. O grande mérito da mudança definitiva no paradigma da política no Ceará foi o Tasso. E eu estive ao lado dele, se a gente for juntar isso aí, vão mais 20 anos. Então, reconheço isso. Acho que o Ceará depois deu umas escorregadas, e eu não fui candidato de oposição negando e disse desconhecendo os avanços que o Ceará tinha tido recentemente, mas o que eu dizia era que o Ceará precisava acelerar um pouco mais e que era importante uma gestão que engrenasse uma terceira marcha. Eu usei essa expressão que é muito comum. Você dar mais velocidade, mais ritmo ao crescimento. E, bom, eu vinha de uma experiência de gestão em Sobral, no município, e não há nada mais rico do que a gestão do município. É lá onde as coisas realmente acontecem. Fora a segurança, que é uma coisa que extrapola a competência dos municípios, educação, saúde, urbanismo, interação com essa área de estímulo econômico, geração de emprego, o município aqui e você vê as coisas acontecendo. O Estado é uma máquina maior, mas a riqueza da gestão do Sobral me permitiu trazer para o Estado um papel de liderar os demais municípios. Então, a gente implantou uma série de ações que tornaram parceiros próximos, independente de relação partidária ou até mesmo simpatia política, todos os municípios do Ceará […] Então, eu acho que isso é que é, e obviamente o avanço dessas coisas, é que é um marco dessa hegemonia, que eu não considero [hegemonia]. Eu sou a favor sempre da renovação. Eu fui e tive o privilégio de ser governador duas vezes, eu jamais terei a pretensão de ser governador de novo. O que a gente deve fazer é dar oportunidade. Camilo foi 8 anos e teve aí o período da Izolda [Cela] […] e o Elmano dá sequência a esse projeto. Então, eu digo sempre, já meio como vacina, estou onde sempre estive e estou defendendo o projeto que eu ajudei, não foi a fundar, a criar, a dar, ter um ritmo mais acelerado.
