A divergência entre o líder do governo na Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Guilherme Sampaio (PT), e o vice-líder Agenor Neto (MDB) entrou mais uma vez em pauta, expondo um desgaste crescente dentro da base aliada do governador Elmano de Freitas.
O conflito ganhou contornos públicos no início do mês, após um episódio de tensão no plenário, quando Agenor chegou a anunciar que deixaria a vice-liderança. A declaração, feita em meio a uma confusão regimental, causou constrangimento à base, interrompendo a pauta e alimentando críticas à condução política do deputado.
A crise se aprofundou na última semana, quando Agenor Neto apresentou emendas ao projeto de empréstimo do governo estadual que receberam parecer contrário da liderança governista. Ignorando a orientação do Palácio da Abolição e da própria base, o vice-líder articulou votos com a oposição e acabou votando contra o governo, num gesto visto como afronta direta à gestão Elmano.
Nos bastidores, avaliam que o comportamento reiterado de confronto, a dificuldade de diálogo e a disposição para impor derrotas ao Executivo têm provocado ruídos desnecessários e enfraquecido a articulação governista em votações estratégicas.
Enquanto o governo tenta preservar a unidade da base para avançar com projetos prioritários, a atuação de Agenor Neto segue como um foco de instabilidade política e levanta questionamentos sobre sua permanência na vice-liderança do governo na Assembleia.
