Uma pesquisa mineral em andamento analisa a presença de diamantes industriais no município de Boa Viagem, no Sertão Central do Ceará, a cerca de 220 km de Fortaleza. O estudo, autorizado em janeiro de 2025 e válido até 2028, busca verificar a viabilidade de extração da pedra preciosa para uso em processos industriais, segundo informações da Agência Nacional de Mineração (ANM).
O processo é de titularidade da empresa H C Mineração Ltda., que assumiu o pedido inicialmente feito pela Construtora JT, sediada no Maranhão. A pesquisa ocorre em uma área de aproximadamente 2 mil hectares, fora da zona urbana do município. Trata-se do único projeto atual voltado para diamantes no estado.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), até 2028 a empresa “deve realizar a pesquisa e submeter o relatório final de pesquisa para aprovação da ANM. Se aprovado, poderá solicitar/requerer a lavra”. A pasta destaca que o prazo pode ser renovado caso haja justificativa do titular da área.
Especialistas apontam que a identificação de alvos minerais não significa necessariamente a abertura de minas. “De cada 1 mil alvos identificados, só um ou dois viram mina”, afirma Elves Matiolo, pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem). Já a professora Irani Clezar Mattos, da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que fatores como custos, acessibilidade e volume de minério são determinantes para a viabilidade econômica.
O levantamento também relaciona outras oportunidades minerais no estado, incluindo cobre, cobalto, urânio e pedras preciosas como ametistas e turmalinas. Segundo a Adece, esses recursos podem ter impacto estratégico em setores como energia renovável e indústria tecnológica.
